quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O Código da Vinci, livro (2003) e filme (2006)

Capa da edição original, em inglês.

"The Da Vinci Code" ("O Código Da Vinci" nas edições brasileiras e portuguesas) é um romance policial do escritor norte-americano Dan Brown, publicado em 2003, causou polêmica no mundo católico ao questionar a divindade de Jesus Cristo. A maior parte do livro desenrola-se a partir do assassinato de Jacques Saunière, curador do museu do Louvre, que antes de morrer deixa várias pistas relacionadas a segredos místicos nunca antes revelados. Robert Langdon, Sophie Neveu e Leigh Teabing vivem várias aventuras ao tentar desvendar códigos que dêem resposta aos enigmas que Jacques Saunière deixou no leito de morte.
A trama do livro envolve desde grandes organizações católicas como o Opus Dei, até a sociedade secreta conhecida como Priorado de Sião, que, de acordo com documentos encontrados na Biblioteca Nacional de Paris, possuía inúmeros membros famosos como Sir Isaac Newton, Botticelli, Victor Hugo e Leonardo da Vinci. Os cenários onde as pistas se escondem estão em sua maioria em edificações centenárias de uso restrito da religião católica, aspecto este que vai muito de encontro com a temática abordada neste blog.

Polêmicas a parte, o livro e o filme surgem como excelentes aulas de Geometria e Arquitetura Sagrada. Vale a pena ter um dos exemplares em sua coleção particular.

Abaixo, um trecho do filme. Bom divertimento!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Templos Católicos: feiura do pecado X antecâmaras do céu

“ As igrejas modernas criam um ambiente que leva à perda da fé.
Em sentido contrário, as igrejas antigas, fiéis à tradição, estimulam a fé e a piedade,
tornam atraente a virtude e alimentam o desejo do céu.”
Luis Dufaur, escritor.

Há tempos vinha buscando uma referência bibliográfica que estivesse de encontro com o que penso sobre a produção arquitetônica católica atual. Diferente do que acontece com os livros de outras religiões, o que constantemente eu achava era um caderninho repleto de anotações ligadas aos “encontros místicos particulares”, em que a análise formal da edificação ficava abafada ou por “momentos de sublime espiritualidade”, ou por medo de ser tachado como “herege”, seguindo de um processo de expulsão da paróquia, ou um dolorido “puxão de orelha” do padre.

Contudo, cada vez que me deparava com mais um novo projeto para Igreja Católica, não me conformava com o rumo que a arquitetura desta religião ia seguindo. A vivência de um  curto – mas profundo - período como católico, me permitia entender que, em parte, as mudanças estruturais ocorridas nos Concílios do século XX na tentativa de atrair mais fiéis, acabavam eliminando o que mais interessante os templos católicos possuíam. A emoção que esta arquitetura específica despertava nos seus adeptos ia sendo destruída, causando, ao meu ver, o efeito contrário: a expulsão cada vez maior dos jovens fiéis. Claro que este fenômeno não pode ser analisado somente do ponto de vista arquitetônico,  mas, como neste blog comento especificamente de Arquitetura Sagrada, devo apresentar apenas este aspecto.

A certeza que tinha de que o empobrecimento da arquitetura das Igrejas repercutia diretamente na quantidade de fiéis católicos, foi reforçada quando encontrei dois livros do arquiteto Michael S. Rose, doutor em Belas Artes da Brown University, nos Estados Unidos. Em suas publicações – “Ugly us sin” de 2009 e “In tiers of glory” de 2004, - Michael analisa o projeto de diversas Igrejas Católicas contemporâneas, confrontando o partido adotado pelo arquiteto autor do projeto com edificações antigas, cujos programas de necessidades estavam de acordo com a ritualística e a simbologia católica tradicional – ainda em uso na época da construção.

Os próximos edifícios religiosos a serem estudados neste blog serão Igrejas Católicas. Em se tratando de uma religião dominante no nosso país, e certo de que grande parte dos visitantes do blog tenham a possibilidade de vivenciar esta religião de perto, pularei explicações mais detalhadas da história do Cristianismo e me aprofundarei em análises das igrejas, tentando resgatar traços da geometria sagrada existente. Utilizarei alguns pontos identificados pelo arquiteto Michael S.Rose, confrontando-os com questões abordadas em  livros que falam sobre os novos rumos de ser católico no século XXI. Como se trata de um tema bastante presente no nosso dia-a-dia, ficarei muito feliz de receber comentários a respeito do projetos. Inicio este tema provocando a seguinte reflexão: Até que ponto os projetos destas igrejas nos emocionam?

Catedral Metropolitana de São Sebastião, RJ.
Projeto do arquiteto Edgar de Oliveira da Fonseca. 1979

Catedral de Nossa Senhora Aparecida, DF
Projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, 1958.
Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Assunçao, SP.
Projeto do arquiteto Maximilian Emil Hehl, 1954

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Arquitetura Baha'i, a síntese de uma religião - Filmes

Por se tratar de uma religião viva, que luta pela Unidade em um terreno dominado por religiões fundamentalistas, grande parte da produção cinematográfica criada acaba sendo destruida antes mesmo da finalização. E as poucas que conseguem ser finalizadas, apresentam demasiadamente as dispustas politico-religiosas, dando pouca ênfase ao simbolismo e a Arquitetura Sagrada, pontos que são discutidos neste blog.

Sendo assim, após dias pesquisando referências no cinema, minha busca se deu por concluida ao encontrar na internet alguns filmes onde o tema principal é a Arquitetura Sagrada. Os três selecionados seguem abaixo. Embora sejam imagens brilhantes, ainda acredito que esta arquitetura tão significativa mereça trabalhos cinematográficos mais interessantes... Fica minha sugestão aos que atuam neste campo.





Contudo, espero que as imagens apresentadas sejam capazes de despertar a emoção que os arquitetos certamente buscaram ao projetarem. Bom fim de semana!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Os sítios sagrados Bahá'ís e sua relação com a urbe

“ A sabedoria que jaz no construir-se tais edifícios é que em dada hora o povo saberia que é tempo de reunir-se, e assim todos se congregariam, e com perfeita harmonia entre si devotar-se-iam à oração; como resultado de tal reunião a unidade e o afeto haverão de crescer e florescer no coração humano.”
1. Ensinamento Baha'i.

Os ensinamentos da religião atribuem que os principais templos Bahá'ís devem ser construídos em lugares de fácil acesso, dedicados ao desenvolvimento social, humanitário, educacional e científico. Embora ainda nenhum desses templos tenham sido construído nesta extensão, esta seria a premissa para a escolha do lugar de implantação da Casa de Adoração.
Os escritos da Fé Bahá'í, determinam que após a edificação dos templos sagrados deve seguir a  construção de um complexo de edificações ao redor  como hospitais, escolas, orfanatos, universidades,  que visam o benefício e o progresso humano. Os Bahá'ís afirmam que futuramente, as Casas de Adoração se tornarão o centro de todas as cidades.

Implantação do Templo Baha'i em Colina, Chile.
Importante observar a projeção de edificios que
visam a instalação de infra-estrutura para a
comunidade Baha'i.
As cidades devem ser estruturadas de modo a facilitar o transporte de mercadorias, permitindo um melhor fluxo econômico e o desenvolvimento socioeconômico urbano. Os ensinamentos associam o termo "doenças modernas"  ao stress provocado, em muitas, pela agitação de grandes centros urbanos. Esse aspecto do desenvolvimento desordenado das cidades, sufoca as relações humanas e as necessidades individuais dos seres humanos, tais como o contato com a natureza. A unidade mundial, como é o princípio da Fé Bahá'í, será dificilmente realizada se os aspectos da socialização objetivar primeiramente a aquisição de mercadorias, como de certo modo tem se tornado aparente os centros urbanos. Os templos Bahá'ís e os complexos que futuramente serão estabelecidos ao redor representarão um progresso orgânico e essencial do indivíduo e da sociedade. O valor evocativo é a de que todas as estruturas das cidades sejam edificadas visando a unidade da humanidade.
Implantação do Templo Baha'i em Colina, Chile.
Importante observar o projeto paisagístico do entorno.
As Casas de Adoração são abertas ao público, exclusivamente dedicadas à oração e meditação, sendo proibido qualquer tipo de culto ou sermão. É permitida somente a leitura de escrituras consideradas sagradas, prática esta estendida à pessoas de todas as religiões , que lá podem  recitar orações de seus livros sagrados, sejam estes de autoria de Krishna, Moisés, Zoroastro, Buda, Cristo, Maomé, Báb ou Bahá'u'lláh.
Atualmente existem 9  templos implantados – estando 2 em fase de construção – , que podem ser visualizados através de imagens de satélite, seguindo as coordenadas ou os links a seguir:

Templo Baha'i na Alemanha  -   50° 6' 47.24" N 8° 23' 48.07" E
Templo Baha'i na Austrália - 33° 41' 7.54" S 151° 15' 31.42" E
Templo Baha'i no Chile - 33° 0' 21.58" S 70° 39' 9.12" W 3D - em construção
Templo Baha'i nos Estados Unidos - 42° 4' 27.90" N 87° 41' 3.64" W
Templo Baha'i na Índia - 28° 33' 12.14" N 77° 15' 31.01" E
Templo Baha'i em Israel - 32° 48' 48.68" N 34° 59' 11.43" E 
Templo Baha'i no Panamá - 9° 3' 34.90" N 79° 31' 13.75" W
Templo Baha'i em Samoa - 13° 54' 9.37" S 171° 46' 34.45" W
Templo Baha'i na Uganda - 0° 21' 52.00" N 32° 35' 19.04" E
 Notas:
1.Ensinamento Baha'i. O Tabernáculo da Unidade

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Princípios religiosos da Fé Baha'i

“ Ó vós que habitais a terra! A religião de Deus visa o amor e união; não a torneis causa de inimizade e conflito... Nutrimos a esperança de que o povo de Bahá possa ser guiado pelas palavras abençoadas: "Vede! Todas as coisas são de Deus!" Esta excelsa afirmação é como água para extinguir o fogo do ódio e da inimizade latente dentro dos corações e peitos dos homens.. Ele, deveras, diz a verdade e mostra o caminho. Ele é o Todo-Poderoso, o Excelso, o Benévolo. “
1. Ensinamento Bahá'í
Os ensinamentos  Bahá'ís,  assim como o de outras religiões, definem que o propósito da vida é o crescimento espiritual. Este  processo é gradual, como em um embrião no ventre materno, continuando eternamente após a morte. O paraíso referido em muitas escrituras religiosas, é apontado na Fé Bahá'í como metafórico, já que o desenvolvimento é eterno, tratando-se para eles, apenas de uma definição necessária adotada pelos profetas anteriores para melhor compreensão dos povos da época.
Todos os ensinamentos Bahá'ís  giram ao redor de três alicerces principais: a unidade de Deus, unidade de Seus Profetas, unidade da humanidade.
Um só Deus, uma só Religião, um só Mundo - ensinamentos Baha'i.
 Um só Deus
Os Bahá'ís acreditam na existência de um único Deus, o criador de todas as coisas. A existência de Deus é considerada eterna, não tendo começo ou fim. Segundo os  ensinamentos Bahá'ís, Deus é inacessível e incognoscível, mas tem consciência de sua criação, tem uma vontade e propósito. Os ensinamentos Bahá'ís também declaram que Deus não pode ser compreendido pela mente humana. Eles  acreditam que Deus expressa sua vontade através de uma série de Mmensageiros Divinos referidos por "Manifestantes de Deus" ou "Profetas". Esses Manifestantes estabelecem as bases das grandes religiões mundiais, e os seus ensinamentos são uma forma de Deus educar a humanidade.  Nas escrituras Bahá'ís, Deus é frequentemente referido por títulos, como "Todo-Poderoso", "Onisciente", "Suprema Sabedoria", "Aquele que subsiste por si próprio".
Uma só Religião
 A despeito de constantes conflitos que há séculos envolvem as religiões na visão de inúmeros expositores, os Bahá'ís se apoiam nos próprios ensinamentos dessas religiões para enfatizar que todas as religiões, ao contrário, ensinam o amor e a unidade - sendo a intolerância e o fanatismo origem de tais conflitos.  É proibido o fanatismo na Fé Bahá'í, o que consistiria em se fechar a dogmas que muitas vezes podem ser mal-interpretados. À luz do princípio de que todas as religiões provém de Deus, os homens podem procurar compreender e desta forma eliminar os preconceitos religiosos.
A 'religião de Deus', ou 'religião una' descrita através da sucessiva revelação Divina a cada época, foi denominada Revelação Progressiva. De acordo com os bahá'ís, este conceito não é exclusivo da Fé Bahá'í, mas apresentada de diferentes maneiras em todas as religiões. Moisés fez a promessa ao povo de seu tempo sobre a vinda de um Messias, quando Cristo afirmou ser o Prometido, também advertiu a seu povo sobre a vinda de um Messias. Os escritos bahá'ís delineiam categoricamente as religiões que fazem parte da revelação de Deus. Sobre a mudança entre as Leis e Ensinamentos de cada Manifestante, Bahá'u'lláh diz:
“ Ó povo! As palavras são reveladas segundo a capacidade, de modo que os principiantes possam fazer progresso. O leite deve ser dado segunda a medida, a fim de que a criancinha deste mundo, possa entrar no Reino da Grandeza e estabelecer-se na Corte da Unidade. “ 2
Os bahá'ís desenvolvem a idéia de que cada época diferente exige necessidades diferentes. Assim como as leis de um país precisam evoluir conforme evolui sua sociedade, as Leis de Deus sempre evoluem através das religiões, conforme evolui a humanidade.
Um só Mundo
Os Bahá'ís acreditam que o ser humano possui uma "alma racional", na qual provê à espécie uma capacidade única de reconhecer a Deus e a relação da humanidade com seu criador. Todo ser humano é considerado possuidor do dever de reconhecer a Deus através de seus mensageiros e de seus ensinamentos. Através do reconhecimento e obediência, serviço à humanidade e práticas espirituais, os Bahá'ís acreditam que a alma pode se aproximar de Deus. Quando um ser humano morre, a alma continua existindo no mundo espiritual próximo ou distante de Deus, descreve a relação entre este mundo e o próximo, não sendo nenhum lugar físico, nem a sujeição a recompensas ou punições.
Os Escritos Bahá'ís enfatizam a igualdade essencial do ser humano e a abolição de todos os tipos de preconceito. A humanidade é considerada essencialmente uma, embora diversificada; esta diversidade de raça e cultura é considerada merecedora de apreciação e tolerância. Doutrinas de racismo, nacionalismo, castas, e classes sociais são impedimentos artificiais da unidade. Os ensinamentos Bahá'ís declaram que a unificação da humanidade deve ser assunto principal sobre as condições religiosas e políticas no tempo presente.
Abaixo, a última parte da entrevista do arqutieto Luis Henrique, representante da Fé Bahá'í no 3° Encontro da Nova Consciência, de 1994.


Notas:

1. Esinamentos Baha'is, retirado do livro O Tabernáculo da Unidade.

2. Ensinamento Baha'i, retirado do livro "O segredo da Civilização Divina."

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Persépolis, livro e filme. França, 2007.

Capa do livro.
Persépolis narra de forma singela passagens autobiográficas da autora do livro em quadrinhos que deu origem a esta animação inteligente e brilhante, Marjane Satrapi. A adolescência de Satrapi desfila por cenários que testemunham a ditadura imposta pelo Xá no Irã e a posterior irrupção do regime fundamentalista dos ayatolás.

Em Teerã, capital iraniana, durante o ano de 1978, a criança Marjane, mergulhada em seus sonhos infantis, acalenta o desejo de se tornar uma profetisa quando crescer, pois assim terá poderes para salvar o Planeta. Ela tem diante de si o exemplo liberal de sua avó, marcante figura feminina que oferece à neta preciosas diretrizes morais e também um intenso senso de humor. Além disso, seus pais são modernos, adeptos da ideologia de esquerda e igualmente inteligentes.
Marjane vê se desenrolar diante de seus olhos a passagem de uma ditadura opressiva para um sistema regido por grupos islâmicos fanáticos, não menos cruéis que o antigo Xá. Eles determinam cada detalhe da vida dos iranianos, desde o comportamento até a forma de se trajar. A menina é então obrigada a usar um véu, o que lhe inspira a vontade de se converter em uma autêntica revolucionária.
Esta genial animação se vale de vários desenhos compostos em preto e branco, perpassados por densas faixas pretas, no interior das quais é possível encontrar diversas tonalidades em tons acinzentados. Mas o cuidado com o visual não pretende em momento algum ofuscar a beleza e a criatividade do que é narrado no centro dessa moldura formal. Certamente uma narrativa tradicional roubaria tanto do livro quanto do filme sua engenhosidade natural e a poética surpreendente que se encontra em ambos.
A animação desvela boa parte da história iraniana que se desenrola a partir do governo totalitário do Xá, retratando também o bombardeio de Teerã ao longo da guerra contra o Iraque, seguido por um incessante sumiço de pessoas. Este contexto desemboca em um sistema cada vez mais opressivo e cruel, no qual não faltam conflitos bélicos, torturas e crimes.
Diante desta preocupante situação, os pais de Marjane decidem enviá-la para Viena, capital austríaca, tentando assim impedir que algo terrível lhe aconteça. Aí a jovem experimenta outras tantas conturbações, mais relacionadas ao período da adolescência. Ela enfrenta questões como a liberdade, o amor, perpassados por boas doses de tristeza e melancolia, por se sentir distante de sua família, exilada de sua pátria. Marjane se sente inevitavelmente deslocada em seu novo refúgio.
A jovem se vê diante de um dilema crucial. Para conquistar o mínimo de liberdade necessária para qualquer ser humano, Marjane é obrigada a se manter em terra alheia. Se quiser voltar para seu país de origem, terá que abrir mão de tudo que pensa, sente e sonha.
O filme francês de animação estreou em 2007, escrito e dirigido por Satrapi e Vincent Paronnaud.  No Festival de Cannes de 2007, recebeu o prêmio do júri. Foi lançado na França e na Bélgica em 27 de junho do mesmo ano. No Brasil, foi lançado em 30 de outubro de 2007 no Festival Internacional de São Paulo e em 23 de fevereiro de 2008 no circuito comercial.

A animação do ponto de vista estético já seria uma boa dica para o fim de semana. No entanto, a sugestão para esta data está de acordo com a temática abordada nos tópicos desta semana, já que a história se passa no Irã, cidade importantíssima para a religião Baha’i, que estamos estudando. Vale a pena tentar entender o quão desafiador foi - e ainda é - apresentar conceitos religiosos mais abrangentes em um cenário fundamentalista tão severo.
A seguir, um trecho do filme Persépolis... Bom fim de semana!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Arquitetura simbólica Bahá’i

“Diz o Grande Ser: Ó bem-amados! Ergueu-se o tabernáculo da unidade; não vos considereis uns aos outros como estranhos. Sois os frutos de uma só árvore e as folhas do mesmo ramo. “
Ensinamento Bahá’i. 1

Na contemporaneidade, a decadência das religiões fundamentalistas gerou a dessacralização dos símbolos considerados divinos na arquitetura. Em tempos de conflitos e divergências nos dogmas das religiões, os novos programas de necessidade exigem o minimalismo e a escassez de simbologia na arquitetura religiosa, a fim de não mais confundir os fiéis. Neste cenário  a-religioso, os edificios mais magníficos cujo projeto partiu do uso de números ou geometrias  sagradas são projetados para usos profanos, em geral complexos edificios com volumes rigorosamente diagramados para vencer alturas inimagináveis, como as Torres Petronas, na Malásia. 2
Torres Petrona, Malásia. 2
fonte: http://www.wikipedia.com/
 Na contramão da simplista produção arquitetônica religiosa estão os templos da Fé Bahá'í. Na simbologia Bahá'í, a geometria adorada é a mais complexa existente, estrelas e polígonos obtidos a partir dos números 8 e 9,  constantemente   representados já na planta arquitetônica de seus edifícios.
A estrela de oito pontas é utilizada com sua simbologia original, diferente de seu siginifcado no projeto das Torres Petrona. Ainda que apenas nos detalhes decorativos do Centro Mundial de Haifa, no Monte Carmelo, o resgate desta intrincada geometria neste projeto foi suficiente para propagar seu uso em outros edificios religiosos atuais, recordando principalmente a cultura e a arquitetura do islamismo.
O número nove representa para muitos o número da perfeição. Diferente do significado da estrela de oito pontas, a  estrela de nove pontas, não representa apenas uma, mas as nove religiões monoteístas, classificadas segundo os ensinamentos Bahá’i. 3.  Além deste significado, o número  nove se torna importante por ser o número de anos do intervalo entre a revelação do Báb (1844) e a de Bahá'u'lláh (1853), e  também  pelo valor numérico da palavra Bahá` em Árabe.
Templo Baha'i de Chicago, EUA.
fonte: http://www.bahai.org.br/
 Embora sejam um único prédio coroado por um domo imponente  , os templos Bahá'ís têm todos nove entradas  4. Assim conhecidos como “Casas de Adoração” pelos bahá'ís, esses templos são construídos unicamente para a realização de orações. Não havendo nenhuma espécie de culto, é permitido a livre entrada de pessoas de todas as religiões. Atualmente, todas as Casas de Adoração possuem apenas uma sala sem divisão sob o domo, e os assentos do auditório são voltados para o Santuário de Bahá'u'lláh em Akka, Israel. Lá, cada indivíduo é incentivado a recitar as palavras reveladas por seu Deus, sejam estas de Krishna, Moisés, Zoroastro, Buda, Cristo, Maomé, Báb ou Bahá'u'lláh.
Templo Baha'i, India.
fonte: http://www.google.com/
Além do carater simbólico da planta, outro aspecto marcante na arquitetura destes templos é o resgate do desenho, técnicas construtivas ou mesmo do emprego de materiais  próprios da cultura local onde o edifício está instalado. E ao redor destes templos, os jardins serão ornamentados apenas com plantas e árvores específicas do lugar.
Templo Baha'i, Panamá.
Importante notar o uso de técnicas construtivas locais na arquitetura do edifício.
http://www.bahai.org.br/


 Para ver um pouco mais sobre arquitetura Baha'i, clique no video abaixo:


Notas:

1. Ensinamento Baha'i. Epístolas de Bahá'u'lláh

2 .Torres Petrona  são dois arranha-céus edificados na cidade de Kuala Lumpur, Malásia, cuja base a partir da estrela de 8 pontas recorda os motivos encontrados na arte religiosa islâmica. As torres de aço e vidro foram projetadas pelo arquiteto Cesar Pelli. Concluído em 1998, tem 88 andares e atualmente é o terceiro edifício mais alto do mundo (pronto), com 452 metros.
3. A religião Bahá'í considera nove as religiões monoteístas : Sabeismo, Hinduísmo, Judaísmo, Zoroastrismo, Budismo, Cristianismo, Islamismo, Fé Babí e Fé Bahá'í. Contudo, essas não foram as únicas religiões reveladas, vindo a existir muitas outras anteriores, mas são as que ainda existem.
4. Os Escritos da Fé Bahá'i relativos à estrutura dos templos Bahá'ís, definem que estes devem possuir duas características básicas: possuir nove entradas e coroadas por um domo central no topo. Por simbolizarem a Unidade de Deus, Unidade de todos os Seus profetas e a Unidade da Humanidade, a edificação deve dar a impressão de um único bloco arquitetônico.