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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Livro: Fama Fraternitatis, em comemoração aos 400 anos do Manifesto Rosa-Cruz.

Capa do livro da
Pentagrama Publicações
      " A sabedoria, assim diz Salomão, é um tesouro inesgotável para o homem, pois ela é o alento da força divina e um raio da glória do Todo-Poderoso.(...) Compreende palavras veladas e resolve enigmas, prevê sinais e prodígios e sabe o que acontecerá futuramente."
 RIJCKENBORGH, J. Van. Tradução da introdução do Fama Fraternitatis. 1

     Outra Ordem Secreta que teve muita influencia na cena medieval foi a Ordem Rosa-Cruz. Ramificada atualmente em AMORC Rosa-Cruz e Roza-Cruz, os rosacruzes compartilham conhecimentos místicos adquiridos ao longo da história da humanidade, alternando atualmente seus focos ou para as escolas de mistérios do  Antigo Egito ou tendendo à gnose e alguns conceitos alquimistas do Iluminismo. Em todo o caso, ambos consideram importante o ato de Christian Rosenkreuz que no século XVII publicou o Manifesto “Fama Fraternitatis”, fazendo o mundo conhecer a existência da Ordem Rosa-Cruz e divulgando o papel dela como influenciadora do pensamento a partir daquele momento.

     Este manifesto, contendo uma mensagem de renovação universal, foi redigido e dirigido a todos os chefes de Estado, ilustres e eruditos da Europa. O continente era dominado pelo poder religioso, polarizado entre o Sacro Império Romano, católico, e os príncipes protestantes, cuja Reforma tinha criado um grande cisma na fé e no poder. Segundo os adeptos do rosacrucianismo, se a Europa tivesse abraçado a renovação anunciada pela Fama Fraternitatis e Frederico V tivesse sido alçado ao trono do Sacro Império Romano, talvez um novo poder e uma nova visão universal poderiam ter evitado os rumos que a história tomou com a eclosão da Guerra dos Trinta Anos.

     Em comemoração aos 400 anos deste Manifesto a Editora Pentagrama na 23ª edição da Bienal do Livro, lançará dentre os livros mais importantes, o Fama Fraternitatis. O exemplar é a tradução em português na íntegra do texto original que foi escrito em linguagem criptográfica, devido às penas impostas a todos aqueles que eram considerados heréticos no século XVII. Se o olharmos estritamente pela ótica da história oficial, o livro nos conta a peregrinação de Christian Rosenkreuz para Jerusalém, seu contato com um grupo de sábios da Arábia, os quais o iniciam nos mistérios da física, matemática, magia e cabala, além de seu retorno à Europa, através do Egito e Marrocos até a chegada à Espanha. Por trás desta história, conta-se todo o processo de demolição das estruturas vigentes e a reconstrução de algo absolutamente novo, seguindo o ponto de vista da Ordem Rosa-Cruz. “O surgimento deste Manifesto causou grande comoção em todos aqueles que detinham poder e conhecimento na Europa naquele período, pois acreditava-se que seu texto contivesse a chave da sabedoria universal”, finaliza a coordenadora da editora.

     O evento da Bienal Internacional do Livro acontece de 22 a 31 de agosto de 2014 no centro de exposiçõees do Anhembi em São Paulo. Para saber mais  deste ou de outros livros da Pentagrama Publicações o site é http://www.pentagrama.org.br/.
Notas:


1. Trecho do capítulo "Ao leitor que compreende a sabedoria". In RIJCKENBORGH, J. Van. O Chamado da Fraternidade Rosa-Cruz. Pentagrama Publicações, Jarinu, SP. 2014.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

A influencia das Ordens Secretas no projeto das Igrejas Católicas Medievais - Parte 2

“ O símbolo atua abrindo o consciente mais imediato e, 
ao mesmo tempo, fazendo imergir até a superfície da consciência, 
elementos inconscientes por associação e encadeamento espontâneo de emoções,
imagens, recordações e pulsações, concatenando assim uma reserva de significados.”

PERADEJORDI, Julio. A propósito del símbolo.   


      Um fato curioso sobre o projeto das catedrais medievais é que nenhuma das construções góticas possui autoria reconhecida e até hoje, o único tipo de identificação encontrada são marcas gravadas nas pedras.  Os mestres das primitivas confrarias de construtores costumavam reconhecer-se entre si por símbolos e sinais que traçavam nas paredes dos edifícios onde exerciam o seu ofício, nascendo assim as siglas lapidárias. Estas siglas, abundantes em várias igrejas, serviam tanto para identificar o seu autor (uma espécie de rúbrica pessoal) como a confraria a que pertencia, sendo um símbolo particular pertencente ao simbolismo de uma coletividade. Alguns autores afirmam que as siglas lapidárias tinham como única finalidade utilitária a identificação do trabalhador para efeito de pagamento do seu trabalho. Contudo a maioria desses sinais esculpidos são identificados como pertencentes à simbologia mística e esotérica, e portanto, sendo símbolos sagrados em um período onde a intensidade espiritual e religiosa dominava a sociedade, talvez não foram utilizados apenas como sinais de identificação pessoal para fins salarial e “ profanos”, já que se tratava de edifícios religiosos.  2

Detalhe da alvenaria com inscrições.
Igreja São Pedro de Chevron Villiers, Normandia - França
Fonte:  www.lusophia.wordpress.com

      É também muito compreensivo que estas siglas, representassem a confraria companheiril mais do que a pessoa em si mesma que assim deixava a sua marca em determinada obra do seu empenho, contudo  ao mesmo tempo  o teor da doutrina estudada pela mesma corporação através dessa linguagem  simbólica universal. Isso pode ser constatado também porque os signos usados dos canteiros não se resumiam em um só tipo e sim em quatro classes gerais, conforme apresentadas tanto nos monumentos como nos “ incunábulos”   3  . Podem sem configurados na ordem de importância a seguir : A) signos paleocristãos; B) signos mágico-cabalísticos; C) signos astrológicos; D) signos numéricos.  Por vezes, ao invés de uma só classe aparecem todas misturadas entre si.
  
Bafomé esculpido em igreja dos Templários.
Fonte: pt.fantasia.wikia.com
       Enquanto as inscrições nos tijolos são esquemas complexos e de difícil compreensão, os arquitetos não pouparam esforços para revelar todos os detalhes na estatuária das catedrais, principalmente as que dominavam os telhados destas edificações. Gárgulas e figuras antropomórficas aparecem em grande número nestes edifícios, num primeiro momento como parte da estabilidade do sistema estrutural gótico. Contudo inúmeros estudiosos aproveitaram estas figuras para destrinchar outras análises sobre estas peças, dotando as mesmas de muita simbologia mística, neste caso de fácil aceitação haja vista que não se pode criar outro tipo de entendimento senão o caráter religioso.

     Se as gárgulas já são assustadoras, uma outra figura mítica aparece com frequência em algumas fachadas,  muito temida no imaginário do período medieval: o Bafomé.  Destacado em muitas portas de igrejas, a figura metade homem e metade bode, por muito tempo foi confundida com o demônio revelado na doutrina cristã.  Mas seu sentido pode ser outro, “um símbolo templário, que expressa a necessidade humana de transcender seus instintos básicos, a fim de ascender espiritualmente e cumprir seu papel evolutivo. Ser parte de Deus, até se confundir com Ele, é o sentido da verdadeira humanização. E este era o ensinamento maior dos idealizadores do gótico, que criaram uma arquitetura viva. Suas catedrais estão tão perfeitamente integradas ao cosmo, que são praticamente forças da natureza”, como explica o teólogo  Victor Franco.  4



Homem verde, esculpido em igreja gótica.
Fonte: www.google.com

    Nas fachadas destas mesmas igrejas, o Bafomé às vezes se alterna com outra figura antropormófica chamada “Homem verde”, este já um símbolo mais estudado no  Renascimento, representando o ciclo de crescimento da natureza a cada primavera. Para esta figura, estudiosos acreditam que sua ligação seja mais com a Maçonaria e ao culto da Deusa da Fertilidade. 5

     No interior destas igrejas, outros elementos sugerem discussões com inclinação ao misticismo para alguns elementos que algumas vezes aparece sem justificativa nos dogmas do Cristianismo, ou sem uma clara necessidade arquitetônica. Olhando para o alto, algumas igrejas apresentam o Zodíaco na decoração do tambor da cúpula, relacionando as constelações  com representações personificadas por figuras ou animais – neste caso, fazendo conexão dos signos de Touro, Leão, Escorpião e Aquários  com os quatro  Evangelistas do Novo Testamento, respectivamente Marcos, Lucas, João e Mateus.  Em outros momentos, é o piso que nos chama a atenção, caso da Catedral francesa de Chartres.  Chamados de “Labirinto de Salomão”, eles costumam se localizar no ponto em que a nave e os transeptos se unem. Seu sentido alquímico é o mesmo do mito grego de Teseu, o herói que entra num labirinto a fim de combater o Minotauro e, após vencer o terrível monstro, consegue voltar, graças ao fio que Ariadne lhe dera. 6

Piso com labirinto. Catedral de Chartres, França.
Fonte: www.google.com.br
     Outro espetáculo que a arquitetura interna das catedrais góticas oferece é o “banho” de luz solar nas horas canônicas. A intenção era que durante as vésperas (hora canônica correspondente às 6 horas  e na hora mariana correspondente às 18 horas),  a luminosidade filtrada pelas “rosáceas” criasse a sensação de um incêndio, um suposto “ fogo iniciático”.  Essas rosáceas são vitrais circulares, obtidos por meio de uma geometria complexa que se repete ao longo da circunferência, à maneira das “mandalas”.  Para os místicos, elas  funcionavam como "um mapa" das tradições que precisavam ser transmitidas, e para isso se apropriavam de muitas cores – o arco-íris, símbolo da aliança de Deus com os homens no pós dilúvio  7  – e principalmente da forma do círculo – a “roda”, que na Alquimia,  simboliza o tempo necessário para o fogo agir sobre a matéria, a transmutação   8.  Há, ainda outra corrente de pensadores místicos que compara as rosáceas a flores, símbolos da pureza,  da castidade e do feminino,  qualidades valorizadas no período medieval, que, acima de tudo, cultuava a Virgem Maria.   9

Rosácea vista a partir da fachada.

Rosácea vista a partir do interior.
Fonte: www.google.com.br

       Esotéricos ou cristãos, o efeito plástico que todos estes elementos causam é indiscutível e, se a intenção de tais edificações foi de conectar ao Sagrado por intermédio da emoção, os autores conseguiram. Hoje na contemporaneidade, alguns elementos ainda são reproduzidos em lugares religiosos,  o que permite afirmar que atingiram o status de  atemporais e relevantes, mesmo na sociedade capitalista do século XXI. Em tempos de retorno do homem ao Sagrado, resgatar alguns destes itens é a certeza de conseguir arrebanhar um numero maior de adeptos, construindo para isso um discurso qualquer para formas já consagradas no inconsciente esotérico da humanidade.


 Notas:

1. Livre tradução do trecho: “El símbolo actúa abriendo el consciente más inmediato y, al mismo tiempo, 
haciendo emerger hasta la superfície de la conciencia elementos inconscientes por 
asociación y encadenamiento espontâneo de emociones, imágenes, recuerdos y pulsaciones, concatenado 
así uma reserva de significados.” PERADEJORDI, Julio. El Cuerpo Humano, Biblioteca de lós símbolos. Ediciones Obelisco.Barcelona, Espanha. 1991.

2. trecho retirado do link: 

3. Incunábulo é um livro impresso nos primeiros tempos da imprensa com tipos móveis. 
A popularização da imprensa começa a ser mais percebida em 1450, com Gutenberg. 
Refere-se às obras impressas entre 1455, data aproximada da publicação da Bíblia de Gutenberg, até 1500.1 . 
Essas obras imitavam os manuscritos. 
Assim, demorou-se 50 anos para que o livro impresso passasse a ter suas próprias características, 
abandonando, paulatinamente, as características do livro manuscrito. 
A sua origem vem da expressão latina in cuna (no berço), referindo-se assim ao berço da tipografia. 

4. In  A fé cristã em confronto com o humanismo ateu: a perspectiva de Henri de Lubac.
GOMES, Victor Franco. Editora: Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, Lisboa. 2006.


6. Filosoficamente, o labirinto são os inúmeros caminhos que o homem tem à sua disposição. 
Cedo ou tarde, ele entrará em contato com seu monstro interior, sua falta de luz. 
Aquele que consegue combater e vencer as próprias imperfeições – o  Minotauro – pode voltar à vida. 
Mas só os que possuem o fio de Ariadne – símbolo do conhecimento iniciático –  é que conseguem efetivamente retornar à Luz. http://pt.slideshare.net/Daneto/simbologia-manica-nas-igrejas-10721069

7. Ver livro de Genesis, capitulo 9. Biblia, Antigo Testamento.

8. ROOB, Alexander. Alquimia y Mistica, el museo hermético. Taschen. China, 1997

9.  Evocada como intermediadora entre o terreno e o divino, eleita advogada da humanidade, 
a Virgem Maria inspirou, entre 1170 e 1270, a construção de nada menos que 80 catedrais e 
500 igrejas em sua homenagem, só na França. A maioria das igrejas em honra da 
Virgem foram erguidas em lugares antes dedicados a alguma deusas pagãs, curiosamente, a uma Madona negra, cujos atributos estavam associados à sexualidade, à procriação e à fertilidade. 
Outras ainda eram deusas associadas à Lua ou ao planeta Vênus.
 Em outras palavras, eram herdeiras da antiga crença em uma Deusa-Criadora, predominante nas concepções religiosas mais arcaicas e retornada com força pelas Ordens secretas da Idade Média, 
algo como  a “Virgini Paritures” ou “Nossa Senhora dos Subterrâneos”, 
divindade cujo poder encontrava-se na morte e renascimento, muito cultuada pelos Templários.
 FULCANELLI. O Mistério das Catedrais. Editora Madras, São Paulo. 2007

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A influência das Ordens Secretas nas Igrejas Católicas Medievais - Parte 1

“A Ciência, única capaz de penetrar o mistério das coisas, 
o dos seres e de seu destino, 
pode dar ao homem asas para que se eleve ao conhecimento 
das mais altas verdades e chegue até Deus”.

Fulcanelli, escritor e alquimista do século XX  1.


      Além da influencia no plano urbano de algumas cidades, as Ordens Secretas conseguiram também inserir alguns símbolos – ou apenas criar especulações a respeito deles – em inúmeras igrejas católicas edificadas durante os anos de 1.200 a 1.500 a.C. Momento importante na história da disseminação do Catolicismo, boa parte das Ordens Secretas atuava de forma intensa nos canteiros de obras dessas construções e muitas vezes, sem a sua participação,  alguns avanços tecnológicos não seriam possíveis e a verticalização destes templos seria algo inviável.

     Do ponto de vista especulativo,  boa parte da estrutura principal destas complexas edificações certamente não foram usadas por uma simbologia anterior mas, a necessidade de se apropriar destes elementos fez com que surgissem lendas ou alusões de carga simbólica a estes elementos.  Acredita-se que abóbadas, arcos ogivais, arcobotantes e contrafortes já tinham sido experimentados em construções Românicas, mas a importância que estes elementos tiveram nas catedrais góticas fez criou inúmeros mitos a respeito de seu uso aliado aos estudos místicos de Ordens Secretas. A verticalidade destes templos sim tem sua conexão com princípios místicos, mas esta tipologia tão particular não teve sua repercussão no simbolismo dos Rosa-cruzes ou da Maçonaria, cuja arquitetura simbólica foi resgatada ou na Antiguidade Clássica.   2

Rosácea de catedral gótica.
Fonte: www.google.com.br

         Mesmo assim, ainda existem itens decorativos que possuem total conexão com as Ordens Secretas e, cuja elaboração não se justificava pela tecnologia como no casos dos elementos destacados acima. A luz do Sol não necessariamente precisaria adentrar a Igreja em datas específicas demonstrando o conhecimento dos arquitetos com os princípios de astrologia ou mesmo a preocupação com a mística astronômica;  os tijolos da alvenaria de fechamento das igrejas não precisava ser demarcado com linhas geométricas haja visto que seu papel era apenas a vedação;  a estatuária poderia aludir apenas aos santos católicos sem a necessidade de figuras antropomórficas em pináculos ou nas fachadas; os “ labirintos” desenhados nos transeptos poderiam ser substituídos por desenhos com linhas ortogonais já que a planta baixa das catedrais tinha a base quadrada e não circular; e por fim as “rosáceas” poderiam ser simplificadas em óculos  envidraçados.   3

        A planta baixa da maioria das Igrejas deste período baseia-se na cruz latina, com algumas divergências de acordo com a necessidade de naves laterais, o que acaba algumas vezes diluindo o desenho inicial. Do ponto de vista dos teóricos de arquitetura, a planta surge da evolução da planta basilical romana com algumas intervenções para a estabilidade do conjunto. Contudo, para alguns místicos a estrutura das catedrais góticas não parece resultado de “meros cálculos arquitetônicos”. De acordo com Fulcanelli, a cruz latina estendida no solo  é o símbolo do crisol, o ponto em que uma determinada matéria perde suas características iniciais para se transmutar em outra completamente diferente. Simbolicamente, a igreja teria então o objetivo “iniciático” de fazer com que o homem comum, ao penetrar nos seus mistérios, renascesse para uma nova forma de existência, mais espiritualizada.   4

Elevação e planta baixa com cruz latina - Catedral de Chartres.
Fonte: www.google.com.br

        Outro fator intrigante é a relação do Sol com a implantação destas catedrais, proporcionando um efeito muito interessante em dias de santos ou nos solstícios. Sabe-se que a linha mestra utilizada na locação destes edifícios era obtida pelo método da Vesica Piscis, contudo o conhecimento destes princípios certamente tem sua origem nas Ordens Iniciáticas ou mesmo na sabedoria adquirida pelos cavaleiros Templários.    5.  Sobre a luz solar que brinda os altares nos solstícios, os místicos acreditam que haja toda uma relação das datas religiosas com algumas datas já consagradas em calendários pagãos, de forma que a Igreja se apropriou da força simbólica destes dias para seu benefício.  6


(continua)

1. FULCANELLI. O Mistério das Catedrais. Editora Madras, São Paulo. 2007

2. Para os rosacruzes, os estudos iniciáticos tiveram sua origem nas Escolas de Mistérios do Egito, sendo a arquitetura deste período a mais resgatada para a construção das lojas. Já a Maçonaria, embora originada nos canteiros de obras das Igrejas Medievais, utiliza com carga simbólica as colunas das ordens gregas clássicas, bem como alguns detalhes decorativos existente nas residências ou palácios da antiguidade Greco-romana,
 caso do piso em xadrez preto e branco, por exemplo.

3. Óculo: designa um elemento de arquitetura, sendo uma abertura na fachada ou no interior que pode ser redonda ou de outras formas, localizada geralmente acima de uma abertura principal ou inclusa em frontões e frontispícios. Fonte: www.wikipedia.com.br. Embora teve seu uso mais marcante na arquitetura do Barroco, 
seu primeiro uso se deu no Panteão de Roma.

4. O autor - que também escreveu o livro “As Moradas dos Filósofos” - revela o significado oculto das imagens expostas nas catedrais góticas, como um tradutor da secreta “língua das pedras”. Segundo suas palavras, a catedral inteira não é mais que uma glorificação muda, mas gráfica  da antiga ciência de Hermes. Além da tipologia, o próprio termo “gótico” que designa as catedrais citadas, segundo Fulcanelli, seria uma deformação fonética de Argoth (ou Art Goth), uma linguagem restrita utilizada somente por Iniciados em Ocultismo. A arte gótica é, com efeito, a art got ou cot, a arte da Luz ou do Espírito. Ressalta que as catedrais não devem ser vistas unicamente como obras dedicadas à glória do Cristianismo, mas como uma vasta concreção de idéias, tendências e fé popular que motivou sua construção. Sobre o autor,  pouco se pode afirmar sobre Fulcanelli. Sua real identidade é cercada de mistérios; , sabe-se apenas que foi grande conhecedor de arquitetura, escultura, simbolismo, literatura clássica, arquivos e alquimia. FULCANELLI. O Mistério das Catedrais. Editora Madras, São Paulo. 2007.


6.  A 25 de Dezembro ocorre o solstício de inverno (no hemisfério norte) ou de verão (no hemisfério sul).  No 22º dia de Dezembro,  3 dias antes do ápice, o Sol se encontra nas redondezas da Constelação de Cruzeiro do Sul, Constelação de Crux ou Alpha Crucis. Depois deste período a 25 de Dezembro, o Sol move-se, criando a perspectiva de dias mais intensos. E assim se diz: que o Sol morreu na Cruz, (constelação de Crux), esteve morto por 3 dias, apenas para ressuscitar ou nascer uma vez mais. Esta é a razão, segundo os alquimistas, pela qual Jesus e muitos outros deuses do Sol partilham a ideia da crucificação, morte de 3 dias e o conceito da ressurreição. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

As ordens iniciáticas e sua influência na arquitetura religiosa e civil.

“A realidade histórica pode ser considerada por dois aspectos.
 Um aspecto concernente a opinião geral – e esse torna-se mais tarde, a história, graças às pessoas que colocam por escrito as informações (...). 
O outro ao contrário, trata-se dos acontecimentos  que não se tornam públicos. 
É o mundo do comportamento das lojas secretas (...)”.
                                                                                  VAN HELSING, Jan. As sociedades secretas e seu poder no século XX.


        Ainda que o século XXI estabeleça outros interesses para a concepção de uma cidade, ou mesmo o sujeito contemporâneo implique em novos programas de necessidades para os edifícios religiosos, não existe como dissociar a importância de algumas ordens iniciáticas na paisagem das cidades modernas.  Embora o uso de algumas edificações datadas dos séculos XV e XVI seja adaptado para nossa sociedade, determinados prédios se sobressaem no panorama urbano, sendo impossível não notar algum traço simbólico em suas arquiteturas.

Detalhe da decoração da fachada de casa em Paraty, RJ
www.paraty.tur.br

           Além disso, embora não haja um interesse revelado da população para com os assuntos espirituais, a forma como o mundo segue sempre desperta na sociedade perguntas cujos “porquês”, algumas vezes, podem ser respondidos por intermédio dos estudos realizados nestas ordens ramificadas pelos antigos cavaleiros Templários, denominadas na modernidade como rosacruzes, maçons ou outras nomenclaturas cuja origem se deu neste primeiro momento de troca de informações entre o Oriente e o Ocidente. E mesmo existindo divergências sobre a criação destas ordens secretas, não há duvida quanto à contribuição que as viagens ao Oriente trouxeram na literatura básica destes movimentos, refletindo diretamente no simbolismo, espiritualidade e na arquitetura produzida sob orientação de seus adeptos. 2

Detalhe do piso da Catedral de Chartres, França
 http://www. forgottendm.blogspot.com

           Independente do caráter secreto destas ordens ou mesmo da fama negativa criada pela repulsa da Igreja Católica para com os membros iniciados, o intuito dos artigos apresentados nos próximos posts não é de traduzir os símbolos mas desmistifica-los, revelando seu uso mesmo que intrínseco em algumas igrejas com decoração emocionante, ou na arquitetura civil de algumas cidades. Neste período de quebra dos conceitos pré-estabelecidos pelas religiões fundamentalistas, algumas abordagens com caráter mais acadêmico e menos místico são importantes para analisarmos as edificações que nos “tocam”, entendendo a correlação entre todos os movimentos religiosos e principalmente que o progresso em muitos momentos só foi possível graças à liberdade intelectual que as ordens secretas proporcionava aos seus adeptos.


1 – Como responsável pelo “arqsagrado”  e estudioso de arquitetura religiosa, reforço a simpatia e o respeito por todas as religiões, e a preocupação em conhecer a maior parte da bibliografia criada com temas que estejam relacionados ao assunto principal deste blog.  Embora o autor alemão Jan Van Helsing seja algumas vezes considerado “xenofobista” em suas abordagens, o trecho foi reproduzido apenas porque era adequado à introdução deste artigo, não compactuando com qualquer citação do autor que soe preconceituosa.

2 – Sobre as origens da AMORC Rosa Cruz: “(...) Houve uma época em que se acreditava que a origem dos rosacruzes não fora anterior ao século 17, época em que a Ordem ressurgiu em um novo ciclo de atividades na Alemanha, e que seu nascimento tradicional se situava em algum período da era cristã. Documentos históricos, manuscritos e referencias autênticos, descobertos no século 19 recuaram a verdadeira origem e existência da Ordem até o chamado período tradicional: seu nobre nascimento remonta ao Antigo Egito, há mais de trinta séculos. Trechos desta fascinante história foram divulgados pela primeira vez na revista American Rosae Crucis, em 1916.”. 
Revista O RosaCruz, 4° Trimestre de 2008, por Clarice N.V. Pessoa. 
Sobre a Maçonaria: “ A origem da Maçonaria é sempre um dos maiores enigmas da histórica. O oficio operativo dos pedreiros medievias, os Cavaleiros Templários, os arquitetors e artesãos que construíram o Templo de Salomão, até os Mistérios do mundo antigo – todos foram apresentados como possíveis originadores da Ordem.
 Estudos mais recentes, porém, demonstraram que boa parte da fundamentação filosófica surgiu no Renascimento, 
quando a uma curiosa fusão de tradições místicas como as da Cabala e do
 Hermetismo veio sobrepor-se uma estrutura simbólica derivada das corporações de ofícios medievais.” 
NULTY, W. Kirk Mac. A Maçonaria, símbolos, segredos e significado. Editora Martis Fontes, São Paulo, 2012.